Os anos da adolescência marcam o percurso de qualquer família, incutindo na mesma importantes desafios.

Os adolescentes enfrentam mudanças extremas, a nível hormonal e emocional, que se reflectem na forma como lidam consigo próprios e com os outros.

Por vezes, sentem-se incompreendidos, pensando que ninguém consegue compreender o que estão a sentir, sobretudo os pais. Como resultado, frequentemente, sentem-se sozinhos, zangados, confusos, enquanto têm que lidar com questões muito importantes relacionadas com a identidade, a relação com os pares, o comportamento sexual, consumo de álcool e drogas.

Os pais podem sentir-se frustrados e zangados com o facto do seu filho não responder à autoridade parental. Os métodos de disciplina que outrora foram eficazes parecem não produzir qualquer efeito surgindo, então, por parte dos pais, o sentimento de impotência e o receio pelas escolhas do adolescente.

A relação entre os pais e o adolescente torna-se conflituosa em torno de assuntos típicos: a escolha de amizades; o facto de o adolescente querer passar mais tempo com os amigos; a performance na escola; as saídas à noite e o consumo de bebidas alcoólicas; os namoros e a sexualidade; a maneira de vestir, como pentear o cabelo e o uso de maquilhagem.

O adolescente, em busca de uma identidade e de autonomia, entra em conflito com os pais procurando uma afirmação própria, no entanto, apesar de ser importante conceder-lhe espaço, para que pouco a pouco, se torne mais independente, responsável e autónomo, os pais devem manter-se atentos à adopção de comportamentos de risco e auto-destrutivos.

Geralmente, as famílias conseguem superar esta fase tão desafiante e encaminhar os seus adolescentes para um desenvolvimento saudável. Mas é importante ter em mente alguns sinais de alarme, sinais que quando presentes podem implicar o recurso a uma ajuda externa à família. Estes sinais incluem comportamentos agressivos e violentos por parte do adolescente, consumo de álcool e drogas, promiscuidade, absentismo escolar, problemas com a lei e comportamentos de fuga.

Por parte dos pais, se tiverem que recorrer à violência para manter a disciplina, é também sinal que é preciso parar para pensar, procurar ajuda e adoptar outras estratégias mais eficazes. No que toca a crescer não existem receitas e o recorrer a manuais pouco ajuda, a adolescência acarreta e faz surgir fortes emoções, por vezes contraditórias e difíceis de compreender, para o próprio e sobretudo para os pais.

Impõe-se o desafio aos pais: estar por perto, tolerar a incompreensão, estando atentos ao que se passa sem serem demasiado intrusivos, permitindo ao adolescente ir experimentando a capacidade de tomar decisões e responsabilizando-o mas, ao mesmo tempo, estarem perto o suficiente para poder intervir  e procurar ajuda quando o caminho escolhido não é o mais adequado e saudável para o adolescente.

Fonte: APA

Carolina Justino

Carolina Justino

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta
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"Os métodos de disciplina que outrora foram eficazes parecem não produzir qualquer efeito surgindo, então, por parte dos pais, o sentimento de impotência e o receio pelas escolhas do adolescente."