Cada vez mais ouvimos falar de Obesidade Infantil.

Segundo os dados estatísticos publicados em 2011 pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, Portugal surge nos lugares mais altos do ranking europeu aquando deste tópico nos referimos. O Algarve apresenta-se como a região com indicadores mais baixos, sendo que apenas 19,4% das crianças apresentam excesso de peso; já os Açores apresentam os indicadores mais elevados, uma vez que 42% das crianças apresentam excesso de peso, o que faz com que nesta região a obesidade seja a primeira doença na infância.

A obesidade infantil tornou-se num sério problema de saúde pública que, a longo prazo, acarreta o aumento da mortalidade e o aumento de custos sociais e económicos. Os números têm crescido exponencialmente no último quarto de século, e continuam a crescer, de ano para ano, de forma alarmante.

Prevê-se que estas crianças se tornem adultos obesos com problemas de saúde associados a diabetes, a doenças cardiovasculares e mais propensas a certos tipos de cancro. Devemos, urgentemente, investir na prevenção com o objectivo de redução de excesso de peso assim como do seu controlo ao longo das diferentes fases de crescimento. De facto, e associado a este problema, temos vindo a assistir a uma mudança dos hábitos e das rotinas do dia-a-dia, que se reflecte numa maior tendência ao sedentarismo.

Muitos de nós ainda tiveram o privilégio de ter uma infância activa ao ar livre, onde a maior parte do tempo era passada fora das quatro paredes a brincar com os miúdos da vizinhança. Mas, hoje em dia, por questões de segurança e com o evoluir das tecnologias, o ficar em casa à frente da televisão, no computador ou a jogar consola, tornou-se mais apelativo para pais e filhos. Mas não teremos caído num exagero?

Segundo dados de um estudo efectuado nos EUA, as crianças com idades compreendidas entre os 8 e os 18 anos, passam em média 44,5 horas por semana em frente ao computador, televisão ou consola de jogos. Ao mesmo tempo, investigações mostram-nos uma forte associação entre a publicidade acerca de produtos com fracos valores nutricionais e os números da obesidade infantil.

A maior parte das crianças com idades abaixo dos 6 anos não consegue distinguir entre um programa e uma publicidade e as crianças de 8 anos não conseguem ainda entender o intuito persuasivo dos anúncios publicitários.

Como sabemos, as crianças memorizam com extrema facilidade os produtos que conhecem através dos diferentes meios de comunicação, tornando-se, por vezes, extremamente persuasivos com os pais para que os comprem.

A solução não passa por privar as crianças de verem televisão, mas por um acompanhamento e controlo por parte dos pais do tempo que passam à frente da televisão e dos conteúdos a que são expostos. Ao mesmo tempo, torna-se importante fomentar nas crianças o gosto por actividades extra curriculares para que surjam alternativas aliciantes ao sofá. As actividades ao ar livre ou fora de casa podem ser também uma oportunidade para fortalecer os laços familiares e proporcionar a todos um tempo de qualidade.

A cidade de Lisboa tem à disposição inúmeros jardins e passeios pedestres, assim como actividades gratuitas promovidas por diversas associações, esteja atento, aproveite e divirta-se em família.

Carolina Justino

Carolina Justino

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta
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"A solução não passa por privar as crianças de verem televisão, mas por um acompanhamento e controlo por parte dos pais do tempo que passam à frente da televisão e dos conteúdos a que são expostos."