Devem os pais envolverem-se no processo de desenvolvimento vocacional dos seus filhos? Qual, afinal, o papel dos pais na primeira escolha vocacional dos filhos?

Os jovens deparam-se com a primeira grande decisão vocacional, no 9ºano, com a escolha do percurso para o ensino secundário.

O processo da escolha vocacional, é influenciado por vários fatores, quer individuais, sociais, económicos, culturais, familiares, quer pelo grupo de pares, formação escolar e o mundo do trabalho.

Os pais desempenham um papel preponderante na vida dos filhos, sendo fundamental também o seu envolvimento e apoio, ao longo do processo de desenvolvimento vocacional.

A adolescência é um período da vida repleto de significativas alterações fisiológicas, cognitivas e psicossociais. Nesta fase, o adolescente está num processo de procura e construção da sua identidade, dos valores sociais, da autonomia, da integração e do seu papel na sociedade.

É um período em que o adolescente revê os vários papéis sociais que até aí desempenhou, tentando ajustar-se àqueles que melhor se adaptam com os seus sonhos e projetos.

Nesta fase de desenvolvimento vocacional, o jovem procura respostas para as questões que lhe vão surgindo, “Qual o curso de ensino secundário que devo escolher?, Será que sou melhor em quê?, O que é o melhor para mim?, O que é que me interessa? Que profissão gostava de exercer um dia?”.É na procura destas resposta que os pais devem auxiliar o jovem, promovendo-lhes, informação, segurança, autonomia, confiança e a capacidade de planeamento e reflexão.

Por vezes, o envolvimento dos pais pode trazer mais inquietações, medos e ansiedade aos filhos. Podem ocorrer situações, que os jovens sofrem demasiada influência pela família, sentindo-se forçados a seguir carreiras familiares pela pressão imposta, ou pelo contrário, imperar a despreocupação ou a liberdade excessiva por parte dos pais. Ambas as situações podem causar insegurança, ansiedade, sensação de desamparo e mais dúvidas, no adolescente.

Apesar de na fase da adolescência ser característico algum distanciamento dos pais, os jovens esperam encontrar compreensão, confiança e auxilio para debater as suas dúvidas, inquietações, encorajamento e ajuda na exploração e na construção dos seus projetos.

O envolvimento ativo dos pais não deve significar tomar a decisão pelos filhos, mas sim ser um elemento dinamizador de diálogos e de atividades que irão ajudar a estabelecer os projetos vocacionais dos filhos, de uma forma planeada e consciente.

O que é importante então, é que haja um equilíbrio, que o jovem considere as influências recebidas pela família, e as possa vir a reconhecer e utilizar positivamente e de forma construtiva, adequando-as aos seus valores e interesses, na construção do seu projeto de vida.

O aconselhamento vocacional pode aqui ter também um papel fundamental, pois ajudará na dinamização desse envolvimento entre pais e filhos, auxiliando ainda o jovem no conhecimento de si próprio, através da avaliação das aptidões, personalidade, interesses e valores, no conhecimento das oportunidades escolares, no conhecimento e exploração das profissões e mercado de trabalho, na construção do seu projeto pessoal e consequentemente no auxilio ao processo de tomada de decisão, para que sejam realizadas escolhas ponderadas e conscientes.

 

Joana Prazeres

Psicóloga Educacional

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"O envolvimento ativo dos pais não deve significar tomar a decisão pelos filhos, mas sim ser um elemento dinamizador de diálogos e de atividades que irão ajudar a estabelecer os projetos vocacionais dos filhos, de uma forma planeada e consciente".