Investigações recentes apontam para a existência de uma relação entre o dormir e a sensação de fome.

Os resultados parecem indicar que dormir bem pode diminuir a necessidade de comer em demasia e que a qualidade do sono pode influir, de forma diferente, nos homens e nas mulheres.

Para aprofundar o conhecimento sobre os efeitos hormonais do sono na sensação de fome, os investigadores reuniram 27 homens e 27 mulheres num laboratório e manipularam o número de horas de sono. Numa primeira etapa, os participantes dormiram quatro horas por noite, durante três noites consecutivas.

Três semanas depois, dormiram nove horas por noite, durante três noites consecutivas. Com o intuito de perceber como variam as alterações corporais consoante o número de horas de sono, os investigadores recolheram amostras sanguíneas e monitorizaram os níveis de glucose, insulina, leptina (hormona responsável pela supressão do apetite e aceleração do metabolismo) entre outras hormonas.

Concluíram que os homens quando sujeitos a uma restrição das horas de sono, apresentam um aumento de produção da hormona grelina (hormona libertada pelo estômago e produzida pelas células pancreáticas) que, por sua vez, aumenta a sensação de fome. Nas mesmas condições, constatou-se nas mulheres uma redução dos níveis da hormona GLP-1 (produzida pelas células intestinais), responsável pela sensação de saciedade.

Ou seja, perante a redução de horas de sono, os homens parecem sentir fome e aumentar o seu apetite, enquanto as mulheres sentem-se menos “cheias” o que pode conduzir a uma maior ingestão de alimentos. Homens e mulheres, a nível hormonal, reagem de forma diferente à privação de sono, mas parecem alcançar o mesmo resultado, um aumento da ingestão de alimentos.

Embora as diferenças a nível metabólico pareçam subtis, ao fim de algumas noites mal dormidas, em ambos os sexos, aumenta a propensão e a tendência para comer demasiado. De facto, verificou-se que após uma noite mal dormida, os participantes ingeriram mais 300 calorias do que após uma noite de pleno descanso.

Apesar de ser necessário aprofundar a investigação, o presente estudo mostra-nos como os nossos corpos estão programados para encarar a comida de forma diferente, consoante o grau de descanso a que foram submetidos. Assim sendo, quando pensamos em fazer uma dieta, para além de considerarmos o que comemos e o exercício que fazemos, é fundamental dormirmos com qualidade para que possamos alcançar o peso desejado.

Fonte: Time Health & Family

Carolina Justino

Carolina Justino

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta
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"Homens e mulheres, a nível hormonal, reagem de forma diferente à privação de sono, mas parecem alcançar o mesmo resultado, um aumento da ingestão de alimentos."