No mês de comemoração do Dia do Pai, é tempo de reflectir sobre a importância da figura paterna no desenvolvimento psicológico da criança.

Historicamente, a sociedade sempre apresentou uma tendência patriarcal: o pai era responsável por trabalhar e sustentar a família, tomar decisões importantes e impor a “lei” familiar, enquanto a mãe assumia uma posição de cuidadora do lar e das crianças.

Raramente os pais demonstravam os seus afectos e participavam activamente na educação dos filhos, sendo esta mais uma tarefa matriarcal.

No entanto, com o passar do tempo, esta situação alterou-se, sendo hoje a família encarada de modo mais simétrico. Os papéis na educação e na participação activa no desenvolvimento infantil estão mais diluídos entre mães e pais, sendo uma das principais causas para esta mudança a emancipação da mulher.

No entanto, e independentemente da visão actual da sociedade, a representação da figura paterna é essencial para o desenvolvimento moral, social, emocional e psicológico da criança. E porquê?

A figura paterna continua a representar a autoridade, a lei, a impor os limites, disciplinando a criança. A criança conta com a presença do pai para ajudá-la a separar-se da ligação primária com a mãe, de modo a explorar e descobrir o mundo e as relações, tornando-se mais autónoma e independente.
Se este pai não existe, como poderá a criança conhecer os limites, descobrir o mundo e tornar-se num adulto equilibrado e adaptado?

Quando se menciona a figura paterna, esta não quer representar o pai propriamente dito: na ausência de pai “tradicional”, a criança poderá encontrar noutras figuras de referência (irmãos mais velhos, tios, avós, professores…) esta representação de figura paterna. Por tal, é possível que crianças educadas em ambientes familiares diferentes dos tipicamente descritos [(mãe, pai e filho(a)], consigam desenvolver um representante da figura paterna.

Para além da autoridade e dos limites, o pai representa também o género sexual: ao identificar uma figura materna e uma figura paterna, a criança percebe que existem meninas e meninos – o que contribuirá para a construção de uma identidade de género sólida.

A representação da figura paterna também serve, para os meninos, como modelo e para as meninas como representante do universo masculino. Através da ligação afectiva com as crianças, transmitindo-lhe amor e carinho, é possível para a criança ser mais segura e confiante – afinal, não é só amada pela mãe mas também pelo pai.

A importância da figura paterna que, durante muito tempo, foi remetida para segundo lugar no desenvolvimento emocional da criança, assume actualmente um lugar de excelência, lado a lado com a figura materna.

Andreia Cavaca

Andreia Cavaca

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta
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"Os papéis na educação e na participação activa no desenvolvimento infantil estão mais diluídos entre mães e pais."